Jogador profissional de CS opina sobre proibição
Caso Counter-Strike
A proibição do game Counter-Strike no Brasil ainda repercute em diversos setores da sociedade. Há diversos fatores que influenciam na decisão, mas, muitos dos afetados pela decisão da justiça, acabam sendo esquecidos. Tentando dar voz a todos os lados, o portal Misterape conversou com o jogador profissional Leandro Loiola, mais conhecido como mibr | chataum.
![Leandro Loiola [Chataum] Leandro Loiola [Chataum]](/media/files/hots/proibicaocs/Chataum-int.jpg)
Leandro Loiola [Chataum]
[mibr | Chataum] Vejo como mais uma das medidas sem explicação tomadas pela Justiça brasileira! Com todo o respeito, acredito que eles deveriam se preocupar mais com os problemas do país. E, com certeza, o Counter-Strike não é um deles.
[MA] Quantas horas treina semanalmente? Alguma vez você sentiu desejo de realizar algum tipo de atitude semelhante ao game, como atirar em alguém?
[Chataum] Há dois anos não jogo por equipes, porém estou desde 2005 ajudando na administração do Made in Brazil e agora também no Rio Sinistro. Posso dizer com toda certeza que nunca passou pela minha cabeça agir de forma violenta na vida real.
[MA] Como vê a influência dos games em sua vida?
[Chataum] Desde bem pequeno gosto de games. E posso falar que sempre gostei muito, passava horas jogando. Porém, meus pais sempre me ensinaram que eu precisava dividir horário de lazer e horário de responsabilidades. Por mais que fosse viciado em jogos de videogame e computador, nunca tive problemas na escola, na faculdade ou na vida profissional. Pelo contrário, conheci muitas pessoas legais durante as competições, e muitas delas converso até hoje.
[MA] Você acredita na possibilidade de confundir a vida "real" com a identidade assumida dentro de um game?
[Chataum] Para uma pessoa normal? Claro que não! A mídia faz muito sensacionalismo diante dos psicopatas lá de fora. Se descobrem que eles jogavam um joguinho de tiro, ligam logo as duas coisas. Isso não existe!
[MA] Como analisa a fala de que o Counter-Strike "traz imanentes estímulos à subversão da ordem social, atentando contra o Estado democrático e de direito e contra a segurança pública, impondo sua proibição e retirada do mercado", do Juiz Fernando de Almeida Martins.
[Chataum] Por respeito a ele, serei bastante cauteloso dizendo somente que isso aí não se aplica a ninguém que conheço. E conheço vários jogadores!
[MA] Você entende o porquê da proibição este ano, visto que CS foi febre durante muito tempo, principalmente no início dos anos 2000?
[Chataum] Já tentaram proibir antes. No Rio mesmo, durante um tempo, menores de 18 anos não podiam jogar Counter-Strike nas lan-houses. Até agora, não consegui entender o motivo destas proibições.
[MA] O que você acha da atitude da EA, distribuidora do jogo no Brasil, de não se pronunciar sobre a proibição e de não tentar nada que revogue a decisão?
[Chataum] Eu continuo torcendo para que eles voltem atrás desta decisão. A EA deve ter alguma carta na manga, de repente algum jogo novo, não sei!
[MA] Counter-Strike e outros tipos de jogos podem se tornar fonte de renda de famílias e/ou jovens?
[Chataum] No Brasil, ainda não. A única equipe que remunera seus integrantes é o mibr. Mas lá fora, jogos como Counter-Strike, Warcraft3 e Starcraft movimentam um bom dinheiro.
[MA] Mas qual a evolução deste mercado nos últimos 10 anos?
[Chataum] Se for parar para pensar, em 1998, quase não existia e-sports. Após 2000, grandes competições começaram a surgir, como WCG, CPL e ESWC, mobilizando pessoas de todo o mundo com premiações altíssimas. Por último agora, tivemos o surgimento da CGS, que pagou ao primeiro colocado meio milhão de dólares. Por mais que estejam sempre tentando reprimir, o crescimento deste mercado para os próximos anos é quase certo.
[MA] Muito obrigado pela entrevista!
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Dwin
Ter 19/02/2008 11:12
Chataum disse tudo.
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