Recordar é viver. Reavivamos um bom filme que virou um ótimo jogo.

BLADE RUNNER

Redação MisterApe
14/08/2007 07:08:08
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O mundo pós-moderno de Blade Runner idealizado há mais de 20 anos pelo diretor Ridley Scott, pode não corresponder à nossa realidade, mas ele é muito mais familiar do que você imagina.

No filme noir da década de 80, trilhas sonoras dos teclados eletrônicos de Vangelis ambientavam um mundo caótico, tecnológico, asiático e inseguro. A batalha central era entre humanos e replicantes, uma espécie de robô humano, com inteligência artificial e nenhum registro de passado.


O jogo Blade Runner completa em 2007, 10 anos de existência, mas mesmo sendo um ótimo game, com padrões acima do normal para a época, pouca gente reconhece o seu sucesso, e a qualidade do jogo foi substituída pela ação sem fim de outros games sem o charme de Blade Runner.

A Los Angeles de 2019 foi o cenário perfeito para ambientação do filme e do game, repleta de neon e propaganda, é o lar de nosso herói, Ray McCoy.
Ray McCoy é uma cópia do personagem original do filme, o detetive Deckard, interpretado por ninguém menos que Harrison Ford. Provavelmente o nome fora mudado por questões de justiça, já que ambos os personagens são idênticos em todos os sentidos.

A exaustão do trabalho, a morte da moralidade e a raiva dos replicantes e de outros assassinos deu origem a um departamento de policiais, chamados Blade Runners. McCoy é um Blade Runner, que tem como finalidade acabar com os replicantes que foram responsáveis por uma revolução na lua, que deixou milhares de mortos e feridos.

Seu trabalho é perseguir este grupo e o mais importante: ter a certeza de que todos são replicantes antes de matá-los.

O visual do jogo é exorbitante. Toda a velharia tecnológica foi trazida do filme para o game, junto com a vida noturna, a clínica de implantes para replicantes, e quartos de observação através de imensas televisões. Além disso, um ambiente chamou muita atenção: o Animoid Row, pet shop de animais eletrônicos, uma das paixões da sociedade pós-moderna de Los Angeles.


As fases ambientadas na rua são muito fiéis ao filme, onde pode-se observar os resquícios de uma cidade modelo que se tornara obsoleta. Muitas cenas como a cena onde McCoy revira a gaveta de fotos, são exatamente iguais às do filme.

Estas semelhanças são responsáveis por transformar o jogo em uma obra prima, onde cada objeto pode representar todo um mistério, e a noção de realidade e ficção muda de uma hora para outra. Além de tudo, o game consegue transportar todas as dúvidas existenciais do detetive que, até hoje ninguém sabe, seria também um replicante.

Por que McCoy nunca fez o teste de Voight-Kampff consigo mesmo? O que significa viver? Será que os replicantes são mesmo os bandidos da história?

A resposta destas perguntas você não saberá nunca, pois se soubesse, Blade Runner não seria considerado um clássico. Mas pode tentar compreendê-las melhor, colocando-se no papel do detetive McCoy em Blade Runner, o jogo.

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